quinta-feira, 30 de outubro de 2008

E o vencedor foi...

Muitos analistas usam para a política uma regra da matemática. Na política, nem sempre dois e dois são quatro. Por isso, conclusões prematuras de quem ganhou ou perdeu a eleição no nível nacional, quem saiu fortalecido ou não, é muito mais um exercício de futurologia do que a prática da ciência política.
Em muitos casos, uma derrota eleitoral, pode ser uma vitória política e o inverso também é verdadeiro.
Tomemos o caso da cidade do Rio de Janeiro como exemplo. Eduardo Paes foi o vencedor da eleição, por uma diferença inferior a 2% dos votos.
Para conseguir derrotar Fernando Gabeira, recebeu o apoio explícito do Presidente da República, do governador do Estado, dos senadores Marcelo Crivella e Francisco Dornelles, do PT, do PSB, do PC do B, do PDT e mais um dezena de partidos.
Fernando Gabeira, numa campanha praticamente solitária, perdeu por pouco mais de 50 mil votos, numa cidade com quase 4,5 milhões de eleitores.
Vamos ver que custo político terá a vitória eleitoral de Eduardo Paes. É prematura qualquer conclusão agora, mas certamente vai pagar uma conta muito alta pelas alianças que fez.
O governador por exemplo, tem a melhor avaliação do seu governo na zona sul do Rio. Justamente onde o eleitor rejeitou o candidato apoiado por ele. Eduardo Paes venceu nas áreas pobres, que hoje pelas pesquisas de avaliação, apontam grande rejeição de Cabral.
A vitória eleitoral em alguns casos pode significar o início do declínio político. E o contrário também é verdadeiro. Gabeira saiu muito fortalecido da eleição. Só não será senador da República se não quiser. Crivella, derrotado para a prefeitura vai tentar manter-se no Senado. César Maia inviabilizado para o governo do Estado também vai tentar o Senado.
O compromisso de Sérgio Cabral e Eduardo Paes é em apoiar para o Senado, o presidente da ALERJ, Jorge Picciani. Por sua vez, Benedita da Silva articula sua volta à cena política, como candidata a senadora nas próximas eleições. Isso sem contar que Jandira Feghali, que perdeu a eleição para o Senado, em 2006 para Dornelles vai fazer nova tentativa.
É bom lembrar que são só duas vagas.
Alguém será traído.
Saber quem, só o tempo dirá.

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